30 Agosto, 2010

superstição


Para Nancy Cardoso


 
Algumas pessoas parecem indecisas sobre o que o mês de agosto talvez reserve e distribua. Sim, não crêem em bruxas, porém admitem que elas estejam por aí. E pelo sim ou pelo não, diz o bom senso que é melhor não cutucar geringonça com vara curta. Vale, no caso, uma pnêumica de equilibrista em cima do muro.

Outras pessoas acreditam e confessam que agosto evoca e provoca arrepios na espinha da alma. A propósito, nesses dias elas seguem mais ainda os magos de plantão que aconselham redobrar as simpatias contra os perigos e riscos de desgosto. E por isso essa gente se empenha numa pnêumica de encantamentos, marcada por ritos e cuidados extraordinários.

Contudo, também há pessoas que consideram todas as superstições, incluindo as relacionadas ao oitavo mês, como mistificações ingênuas, porém comprometedoras. Acham que algumas crendices ajudam a camuflar as hostilidades da natureza e a ausência de escrúpulos da história. Portanto, no meio dessa gente há quem viva sem grandes fantasias e com aguda criticidade. Muitas vezes essas pessoas gritam que enquanto olhos com remelas forem forçados a lamber panelas sem ovos não há gosto para tudo e todos numa sexta-feira, treze. Azar? Sorte? Destino? Não, não e não. É o intestino lacrimejando a morte. E essa indignação profética revela, certamente, uma espécie de pnêumica super tição.