30 Maio, 2011

(s)agrada pelo movimento






Para Magali e Josefina


Tudo que move é sagrado
Guedes & Bastos


Elias e Jóca encantaram numa cancha de bola-ao-cesto, bem ao lado de um imponente e antigo prédio com tijolo à vista. Toda bendita segunda noite de lua cheia (... pois, na véspera, sempre namoram suas respectivas Musas) eles jogam vinte-e-um assobiando qui-nem-miñinus.

Quando se posicionam na cabeça do garrafão, em lance de três pontos, sonham nove notas com infinitos sustenidos e bemóis. Daí, ao longe, de vez em quando, quase se ouve os hermetismos sincopados que cantarolam à bocca chiusa.

Parece que Elias arremessa uma idéia: Ela é sagrada removendo.
Logo o Jóca pergunta: removendo o quê?
Responde Elias: a realidade caótica.
Jóca: como?
Elias: esquinamente.
Jóca: por quê?
Elias: a existência corpoética tem desejo de ser o que não é.

Então chega a vez do Jóca lançar um pensamento: Ela é sagrada comovendo.
Retruca Elias: comovendo quem?
Jóca: a corporeidade em sua tensão de pathos/logos diante do mistério.
Elias: quando? onde?
Jóca: no kairós, em plena trivialis.
Elias: por...?
Jóca: ... por conta da experiência catártica num deleite de sentir ucronos em utopos.

E um pouquinho antes da alvorada, os dois duelam um dueto lembrando que Ela é sagrada promovendo, com gratuidade cosmética, pelo extraordinário, para a seqüência fantástica no destino de recrear ausências.

E assim que o sol reaparece, as vozes de Elias e Jóca continuam pneumicamente ecoando agrados e sacralidades pelas campinas das almas que amam o movimento da Música.