30 Setembro, 2011

pnêumica de um beijo






Para Vasti Marques, Alba Belotto, Yone da Silva e Liséte Espíndola





Passeando paixão por breve parábola,
imagens seduzem serenos silêncios:
enquanto energia emerge no caos
átomos cantam pelos cosmos.
Uma trama embala belezas
com voz d’água na terra:
berro húmus-humano
taça toda de barro.
Qual espelho vivo
luz laça na saia da chuva
arco-íris roçando cerne e carne:
beijos de deus nos lábios do mundo.

Mas riscamos na tela do cosmo figura do caos:
assustamos os átomos para espanto das crianças;
não podemos nem brincar nos sussurros de regatos
agora degenerados em esgotos das grotescas infâmias.
Nas sobras dessas sombras ainda assombram pesadelos;
angústias ainda grudam em gargantas engolindo gritos;
insônias ciscam noites, confessando que ainda é cedo,
que ainda estamos sós, amigados com o remorso.
Nos olhos falta luz, e lágrimas perdem cores;
desde há muito não há mais arco na íris;
tudo é acre, bílis, massacre, busílis;
desamor, desamor, desamor...




Contudo, do anseio mais denso e profundo
um sonho se fez corpo, brotou conosco
no aconchego último do único útero
parindo signos do eterno desejo.
jesus com jeito de gesto justo
se sujeita a injusto gesto desajeitado;
despetalando sangue sobre aridez cósmica
floresce fontes de névoas nos abismos noturnos.
cristo: cristal de prisma arcoirizando nova teimosia,
ressuscitando sol e assunto nas esquinas das almas,
musicando manhãs, moldando aromas tenros:
chances de sorrisos nas faces da história.

E assim outro saber lambe saudades,
purgando inferno no céu da boca,
saboreando graça borboletante:
oratórios no labor da utopia.
Em vez dessas vastas devassas,
espaços enluarados de verdes véus;
ao invés dessas curvas turvas nos rios,
risos descalços pelas pedras das cascatas.
Alquimia da vida, dança das sete notas
gotejando prazer no arco da lira;
concretos avisos bonitos:
anjos do amém.